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  Mnemosine, a Memória

Mnemosine (Mnêmosune) é a titã da memória e inventora das palavras e linguagem. O seu nome significa, literalmente, memória. Filha de Urano e Gaia é o símbolo da transmissão oral antes da invenção da escrita, sendo também uma titã oracular, padroeira do oráculo de Trofonios.

No culto, o seu principal papel é de mãe das Musas, com Zeus, e é considerada a mais velha das Musas, a primeira Deusa da música, o modo como o conhecimento primeiro era transmitido.

Do seu nome derivamos a palavra memória, mnemónica, amnésia... Na tradição órfica é chamada a fonte das artes das Musas, deusa do intelecto e da razão e a que desperta memórias profundas (de outros tempos).



Hino Órfico 77 a Mnemosine
A Mnemosine, fumigação de olíbano (franquincenso). Invoco a consorte de Zeus divino, fonte das nove sagradas Musas de voz doce, livre do vazio da mente em queda, a quem a alma se junta no intelecto. A ti pertencem o aumento da razão e o pensamento, poderosa, agradável, vigilante e forte. A ti devemos o acordar do descanso letárgico em que todos os pensamentos estão mergulhados no peito, e sem esquecer, vigorosamente excitas o olho mental do vazio da noite negra. Vem, poder abençoado, acorda as memórias dos ritos sagrados nos teus iniciados e quebra os males de Lethe (Deusa do esquecimento).



Hino às bênçãos de Mnemosine
Deusa da memória infalível, Titã do trono límpido e claro cujos rebentos agraciam o Olimpo com a sua voz como as flores primaveris espalham a sua cor e perfume pelos campos de Março. Rouxinol supremo, guardiã da memória divina, dos registos mais antigos que se afundam nos negrumes do tempo esquecido. A ti que concedes aos teus iniciados uma mente de memórias e recordações infalíveis e que amas os que praticam as artes da razão, senhora que derrubas as barreiras que nos toldam a visão e tornas claro o que o negror do esquecimento toldava, a ti louvo com ofertas e agradecimentos por todas as recordações e registos.
Tu inventaste as palavras doces e as azedas, a linguagem que permite relembrar e comunicar, os arquivos da civilização, os ventos ancestrais do tempo que passa mas deixa sinais, as notas que vibram pelo ar ameno e encantam Deuses e mortais, a constância na mudança o que fica quando passa; poeta, música, escritora, anciã, professora, historiadora, mãe das Artes e das Musas, senhora daquilo que é tão nosso, do que acariciamos e odiamos.
Alegra-te Titã que tudo recorda e traz-nos as tuas bênçãos tão grandes. Viva a Mnemosine!

 

~Miguel