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  Artémis

ArtemisArtemis é uma das divindades mais antigas de todo o panteão grego e é, sem dúvida, nativa da Grécia, existindo já no linear B e, provavelmente, antes, tanto que o seu nome é totalmente opaco a interpretações.

Em honra desta Deusa antiga os caçadores espetavam a pele das suas presas em estacas ou árvores, prática que remonta já ao Paleolítico!

Na sua versão antiga ela não é a jovem bela, tentadora e virgem que canta e dança com as ninfas e se regozija na caça, como na imagem transmitida pela Odisseia e que se tornou vigente. Nem tão pouco é a Deusa fraca que contrasta em poder e fica humilhada por Hera, como na Ilíada.

Artémis era originalmente uma Deusa que alimentava e guiava todos os animais selvagens, a Potnia Theron, senhora das bestas, ao mesmo tempo que as caçava com o seu arco dourado e se alegrava com o seu sangue e os seus gritos de desesperos. Ela era a Grande Senhora da floresta, aspecto ainda muito presente, por exemplo, na Artémis de Efeso.

Neste seu aspecto ela era representada com colares que fazem lembrar mamas e, não raras vezes, alada e rodeada de animais selvagens. Sinistra, era representada com cara de Górgona, imagem que trespassa por todo o seu culto no papel de máscara de culto. A esta Deusa sinistra eram queimados animais vivos, afogados, feitos sacrifícios humanos e, até à época Imperial, chicoteados jovens e recolhido o sangue de Homens para rituais.

Tal como a natureza de que cuida, a Deusa é intocável, sinistra e virgem. Mas esta não é uma virgindade frígida ou distante, é algo bem próximo e tentador, como a própria Natureza e as Ninfas de que é Deusa, conforme atestam muitos mitos de mortais e até Deuses que se apaixonaram pelo seu séquito ou pela própria Deusa e acabaram quase sempre mal.

É a imagem da epopeia que, no entanto, é mais representada nas artes e nos chegou até hoje em maior evidência: a jovem, gémea de Apolo, que dança, brinca, caça e ri com as ninfas, correndo pelos bosques, encantando mortais, usando um khiton e quase sempre com um veado ou uma corça, animais que também puxavam o seu carro.

Ela torna-se protectora das raparigas, principalmente daquelas que se vão casar, presidindo aos grupos de dança de "nymphoi", as noivas. A ela são ainda colocadas as jovens em serviço, como uma iniciação à vida adulta, como as "ursas" em Braúron, ou raparigas noutros locais que dançavam com máscaras de Górgona ou cintos de falos.

A Deusa virgem é ainda a senhora do nascimento, já não só a Deusa da proliferação animal, que cuida das crias, mas também a protectora das crianças que mata as mulheres durante o parto ou o facilita, conforme a sua vontade. O mito conta que ela ajudou a sua mãe enquanto ela teve o doloroso parto de Apolo, tornando-se então Deusa do nascimento, para ajudar as mulheres no mesmo sofrimento, nem que fosse acabando com a sua vida, ao mesmo tempo que declarou que permaneceria virgem para nunca sofrer as mesmas dores.

Artémis é também uma Deusa da guerra, embora a Ilíada pareça sugerir o contrário. Na verdade, a Artémis Agrotera eram feitos sacrifícios de cabras antes da guerra, para a inaugurar. E foi a Artémis que Agamémnon teve que sacrificar a sua filha Ifigénia para que os navios pudessem partir para a guerra.

Por todos os mitos de Artémis vemos aparecer sacrifícios e ela é a Deusa do sacrifício, principalmente dos cruéis e horrendos, a Deusa do sangue, da agonia. É a Deusa que vigia os limites, impondo que não se ultrapassem, ao mesmo tempo que é padroeira da liberdade.

Ao longo do tempo, Artémis começa a tornar-se uma Deusa nocturna, empunhando archotes e ficando identificada com Selene, a Lua, Hécate e até Bendis. Assim, ela torna-se Deusa da noite e dos seus terrores, ao mesmo tempo que nos guia na escuridão e se torna uma Deusa da luz e mágica, embora esta última faceta nunca tenha sido assumida.

~Miguel

 

Significado Moderno: Artemis é hoje sobretudo a Deusa da Natureza, do ecologismo, dos animais selvagens e das florestas, para além de ser a Deusa da liberdade e também da purificação. Está muito associada ao feminismo, embora na Antiguidade fosse sobretudo Deméter a Deusa das mulheres. Continua, é claro, a ser a Deusa do nascimento e a protectora das raparigas, noção hoje estendida para a protectora agressiva das mulheres.

Modos de venerar: os seus rituais são sobretudo Olímpicos. Amar o ambiente, protegê-lo, limpar um bosque ou fazer de um jardim um local acolhedor para a vida selvagem, passear pelos bosques, doar dinheiro a causas ambientais, contactar com grávidas e ajudá-las, ajudar as crianças e defender os seus direitos, defender os direitos das mulheres, aprender a caçar e a usar o arco são tudo formas modernas de venerar Artémis.

Símbolos: lua, arco, flechas, máscaras de Górgonas, chifres de cabra, khiton

Animais: veado, corça, rena, cabra, ursos, javalis, todos os animais selvagens, especialmente as fêmeas

Outras ofertas: vestidos, sangue, bois, pérolas, cristais, olíbano, jasmim, aloé, água, música, dança, sacrifícios pessoais, plantas, jardins, animais, coisas oferecidas pela natureza

 

Em textos antigos:
     Apolodoro
     Eurípides, Hipólito
     Eurípides, Ifigénia em Aulis
     Hesíodo, Teogonia
     Hino Homérico a Afrodite
     Hino Homérico a Apolo
     Hino Homérico a Artémis

     Homero, Ilíada e Odisseia
     Higínio
     Papyri Graeci Magicae
     Pâusanio
     Píndaro

 

Ver também no site:
      Leto
      Apolo
      Ninfas
      Zeus
      Kharites
      Selene
      Hécate
      Bendis