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Festivais
Os festivais eram grandes celebrações
que se distinguiam do quotidiano através de uma sequência de eventos
que foram adoptados pelos romanos e, mais tarde pela própria Igreja.
Assim, um festival era um dia especial que todos conheciam, como o
Natal ou a Páscoa, e eram sobretudo eventos comunitários onde todos
participavam na sua elaboração, desde o ritual em si até à procissão
e ao financiamento que era público ou disputado pelas grandes
famílias. Por vezes, os festivais indicavam inversões na sociedade
ou alterações importantes para esta.
Um festival é sobretudo uma celebração. Alguns, como as Panathenaias,
celebram os aniversários de Deuses ou de figuras importantes,
outros, como a Thargelia, são dedicados a um tema específico, neste
caso a purificação. Há também festivais agrícolas, dedicados ao
ciclo da vida, a datas mitológicas ou históricas, ou simplesmente
dedicados a um Deus ou Deusa. Muitos rituais têm uma componente
mágica, nomeadamente rituais do ciclo agrícola que procuram obter
uma colheita fértil, ou festivais de purificação que visam purificar
a terra e o seu povo.
Os festivais variavam também na sus frequência. Alguns eram mensais,
como a Apollonia no dia 7 de cada mês, outros anuais, como a
Thargelia ou as Panathenaias, outros aconteciam a cada quatro anos,
como os Jogos Olímpicos, ou até em intervalos mais longos, como as
Pequenas Daidalas de 12 em 12 anos ou as Grandes Daidalas de 60 em
60 anos.
Normalmente um ritual iniciava-se com a procissão, embora muitos
implicassem vários dias antes do ritual com festas em geral, hinos e
decoração da cidade. A procissão em si percorria a cidade e era
também acompanhada de hinos, terminando no temenos onde se dava um
ritual com sacrifícios, libações e oferendas em geral. Finalmente,
havia um ágon, uma competição e concursos em honra dos Deuses, e o
festival terminava com a entrega de prémios.
Para ilustrar melhor podemos pegar num exemplo, como as Panathenaias.
As Panathenaias eram um festival ateniense que mais tarde passou a
receber comissários de todas as terras da Grécia. Celebrava o
aniversário da Deusa Atena e existiam as Pequenas Panathenaias, que
se davam todos os anos, e as Grandes Panathenaias de quatro em
quatro anos.
A duração das Panathenaias foi variando ao longo do tempo, desde um
dia até uma semana, mas o dia fulcral permaneceu sempre do mesmo
modo. Como todos os dias gregos, começava no por do sol do dia
anterior. Durante a noite a cidade era iluminada com velas e eram
cantados hinos sem parar.
De manhã dava-se um desfile sensacional, representado no Pártenon,
onde se faziam danças em honra da dança primitiva que Atena fez
quando nasceu, e na qual se carregava o vestido novo, cor de
açafrão, para oferecer à Deusa até ao templo, o Pártenon.
Depois havia uma série de concursos, desde corridas, luta e até
concursos navais e eram premiados os vencedores, com prémios
sagrados como azeite das oliveiras da Deusa.
A maioria dos festivais seguia mais ou menos esta estrutura,
variando, claro, nas actividades realizadas e no tipo de concursos.
Havia até os chamados festivais Pan-helénicos, nos quais todos os
gregos participavam. Eram quatro e todos consistiam em jogos de
competição, sendo os mais famosos os Jogos Olímpicos.
Nos festivais pan-helénicos todas as guerras eram interrompidas e
assim se demonstrava que os Deuses são mais importantes que as
nossas desavenças humanas.
Havia ainda festivais que eram Mistérios, que qualquer pessoa podia
optar por não participar. Estes permitiam uma distinção e
individualização a nível religioso e social e grande parte da
celebração só era acessível aos iniciados, os mystes, que mantinham
um segredo religioso relativo ao assunto, pelo que não sabemos quase
nada sobre estes festivais.
Os festivais eram uma forma de afirmação de cada cidade que, através
das celebrações demonstrava o seu poder, a riqueza, a devoção e
cultura. Para além disso, os festivais pan-helénicos permitia que as
diferentes cidades competissem entre si sem que houvessem guerras.
No fundo, os festivais eram ocasiões de devoção de ênfase social e
patriótico, ou "poliseótico", a principal característica que os
destacava do culto pessoal e quotidiano. É também esta a
característica que os torna um dos mais difíceis actos devocionais
de reconstruir.
~Miguel
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