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  Homero

Não há praticamente nada que saibamos com certeza acerca de Homero. Não temos a certeza quando e onde nasceu, não sabemos como era, quando morreu, nem tão pouco se foi ele que fez de facto a Ilíada e a Odisseia, se se limitou a recolher, se era um conjunto de pessoas, se a Ilíada foi feita por um poeta e a Odisseia por outro, problema esse a que se dá o nome de Questão Homérica, e que não é discutida nesta página. E todas estas perguntas já eram colocadas na antiguidade.

Aqui assumiremos que Homero existiu, que era uma única pessoa, o que não necessariamente verdade.

Os poemas Homéricos foram muito importantes na unificação dos gregos enquanto uma cultura, e ainda hoje ocupam um lugar na imaginação de cada um de nós, desde a bela Helena, passando por Páris, Heitor e, é claro, Aquiles; as suas personagens vivem dramas que ainda hoje são vividos, sofrendo intensamente, como hoje ainda sofremos.

Se esta genialidade foi conseguida por um homem, Homero, então podemos dizer que ele foi um dos homens mais importantes para o Ocidente.

Homero viveu no fim da Era das Trevas, reflectindo vividamente os valores dessa época. Os seus poemas sempre foram encarados como isso, poemas, nunca sento transformados em textos sagrados ou intocáveis, presença que nunca existiu na religião grega, antes pelo contrário: foram muito criticados pela forma como retratam os deuses, tendo-se tornado comum a crença de que eles tinham sido corrompidos pelo tempo.

Ambos os poemas atribuídos a Homero, a Odisseia e a Ilíada, retratam eventos na Guerra de Tróia, ou resultantes desta.  Esta guerra existiu de facto, e algo nela aconteceu que fez com que fosse transmitida de geração em geração, em pequenos poemas bárdicos, que culminaram nas duas obras de Homero.

Depois deste, estas continuaram a ser transmitidas oralmente, daí derivando a crença de que tenham sido corrompidas. No entanto, havia pessoas que decoravam os dois poemas, com mais de 25.000 versos no total, sem por nem tirar, daí que algumas pessoas acreditem que talvez os poemas não tenham sido modificados.

Mas passemos à vida do poeta propriamente dita. Como já foi dito, Homero viveu no final da Era das Trevas, mais provavelmente no século VIII ou IX A.C., no entanto não se sabe em que cidade nasceu.

Sete cidades disputavam ser o berço de Homero: Atenas, Esmirna, Rodes, Quios, Argos, Colofónia e Salamina. Não podemos dizer com um grau de certeza adequado qual estava certa, mas o mais provável é que tenha sido criado em algum ponto da Ásia Menor, devido ao dialecto em que compôs a sua obra, talvez em Quios, onde, pelo menos, viveu parte da sua vida.

É bastante provável que tenha elaborado não dois, mas dez poemas épicos acerca da Guerra de Tróia, cada um relatando um acontecimento específico, que parecem ter sido conhecidos pelos gregos. No entanto, como já foi dito, só possuímos A Ilíada e A Odisseia.

Um ultimo ponto refere-se à cegueira do poeta. A tradição di-lo cego, mas não existem provas quanto a isso. Esta crença tem dois motivos: aos poetas e adivinhos, inspirados pelos deuses, era frequentemente atribuída cegueira, como acontecia, por exemplo, com Tirésias; para além disso, existe um retrato de um trovador, na Odisseia, que canta sobre a queda de Tróia e é cego, imagem que alguns acreditam ser um auto-retrato do poeta.

É lamentável que saibamos tão pouco sobre um homem tão importante para a definição da cultura grega, que definiu a nossa, no entanto temos que nos contentar com o pouco que o tempo nos deixou descobrir e, é claro, com a leitura das suas fantásticas obras.

A Ilíada

A Odisseia

 

~Miguel