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Thiasos Portus Kale |
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História da Grécia AntigaGeografiaA Grécia Antiga localizava-se ao redor do mar Egeu. O seu território era formado por uma grande massa no continente e por variadas ilhas, grandes e pequenas. No entanto, o domínio grego expandiu-se por todo o mediterrâneo, desde o norte de África, a Itália, Península Ibérica, costa Francesa, etc. Mas porque se lançou a Grécia nesta frenética colonização? O que levou a que se tornasse uma potência marítima tão grande? Primeiramente, há que ver que o continente não lhe oferecia grandes oportunidades. O terreno é bastante acidentado, com muito poucas planícies ou locais férteis, o que levou a que surgissem cidades onde quer que o terreno fosse minimamente arável, ou junto ao mar, onde se pudessem construir bons portos. Como as montanhas serviam de barreira, as cidades desenvolveram-se mais ou menos isoladas, e por isso se desenvolveu a forma de governo das cidades-estado. Para além disso, os rios também não eram muito vantajosos, uma vês que, durante os meses quentes e secos do Verão, costumam ficar reduzidos a meros riachos, sendo por isso inviáveis para a comunicação ou o comércio. Além de ter em consideração a fertilidade dos terrenos, havia que ter em conta os recursos naturais disponíveis. A madeira era bastante comum, mas a desflorestação levou a que, mais tardiamente, esta começasse a ser importada. Outro recurso bastante comum era o barro. Para além destes podiam encontrar-se jazidas de mármore e de metais, que, no entanto, estavam bastante mal distribuídas, o que levou à concentração de riqueza em determinadas cidades-estado, como Atenas. Por outro lado, a agricultura não era muito favorecida, e as culturas mais comuns eram a cevada, para alimentação, as uvas, para o vinho, e as oliveiras, que forneciam azeite para a alimentação e para fins cosméticos. O facto do terreno ser acidentado, tirando alguns casos notáveis, como Creta ou Tessália, dificultava a criação de gado bovino e de cavalos. Pelo contrário, os terrenos favoreciam que se criassem porcos, ovelhas, cabras e, mais tarde, as galinhas foram introduzidas. Para além do terreno, também o clima tornava a agricultura uma prática muito insegura. O clima mediterrâneo, o clima grego, é caracterizado for Invernos chuvosos e rigorosos e Verões muito quentes e secos. Além disso, a precipitação é muito variável, tornando, assim, a agricultura um investimento muito arriscado. Por todas estas razões, os gregos voltaram-se para o mar, que se mostrou não só um eficaz meio de transporte e comunicação (embora a maioria dos gregos raramente se afastassem muito da sua terra de origem), como se tornou uma fonte de lucro, através das trocas comerciais, nomeadamente com o Egipto. A Grécia tornou-se uma forte potência marítima, mas não sem obstáculos. Os Fenícios foram um povo que muito dificultou a expansão grega nos seus primórdios, e os próprios piratas, que foram crescendo em número, tornavam o navegar no mar muito perigoso. Além disso, a tempestuosidade natural do mar, fazia com que apenas fosse possível a navegação junto à costa. Apesar de tudo isto, a Grécia veio a estabelecer-se como a mais potente força marítima do seu tempo, com uma armada naval invejável. Deste modo, Helena podia realmente ter lançado ao mar milhares de navios, pois que os havia, havia.
Civilização MinóicaA civilização Minóica foi uma das antecessoras da Grécia. A civilização dos labirintos deve o seu nome ao mais famoso dos seus reis, Minos, que mantinha o monstro Minotauro num labirinto. Mas este é o mito. O que o terá inspirado? Como foi esta civilização que perdurou na memória dos gregos? Há cerca de 4000 anos atrás, por volta de 2000 A.C., todos aqueles que falavam grego viviam dispersos por variados sítios, governando-se independentemente. No entanto, já se identificavam culturalmente. A estes habitantes primordiais dá-se o nome de Pelasgos. Entretanto, na maior ilha da Grécia, Creta, florescia a Civilização Minóica que acabou por se tornar a mais poderosa, uma civilização tão grande que todas as cidades gregas tinham que lhe pagar tributo. Por isso, ou seja, por habitarem em Creta, os minóicos são também chamados cretenses. Esta ilha adquiriu, com o tempo, uma enorme prosperidade económica, com um vasto domínio marítimo e uma arquitectura admirável, chamou-se a civilização dos Palácios. O maior desses, era o Palácio de Cnossos, onde viveu o famoso Minos. O Palácio de Cnossos era o maior e mais importante palácio minóico. Era tão grande, chegando a ter 5 andares e 1300 divisões, que funcionava como um microcosmos, uma pequena cidade com muitas casas pequenas, paredes ricamente decoradas, um fabuloso sistema de canalização e espaço para as cerimónias religiosas. Os Cretenses eram um povo politeísta, sendo a principal Deusa a Deusa da fertilidade, representada pela serpente. Outro dos grandes ícones religiosos era o touro, e havia mesmo um "ritual do salto mortal sobre o dorso do touro" que se crê que terá dado origem à lenda do Minotauro. Este toureio, era um verdadeiro ritual sagrado, dedicado, pensa-se, à fertilidade, em que jovens treinados saltavam para o dorso de um touro, depois de o agarrar pelos chifres, dando um salto mortal sobre ele. Ao mesmo tempo, Cnossos extorquia tributos dos gregos e, quando estes não pagavam, levavam-lhes jovens acorrentados e nunca mais se sabia deles. Isto, aliado ao ritual do touro e à intricada arquitectura dos palácios, fez com que surgisse a lenda do Minotauro (touro) encurralado num labirinto (palácio) ao qual estes jovens eram sacrificados. Mais tarde, os gregos invadiram Creta, deslindando os seus mistérios. E assim, a lenda conta que o Minotauro foi morto. Quanto à fala deste povo, desconhece-se. No entanto, sabe-se que escreviam no chamado Linear A. Finalmente, um povo vindo de Micenas invadiu esta ilha, conquistando a civilização Minóica, e dando origem à Civilização Micénica.
Civilização MicénicaOs micenos invadiram Creta, apoderando-se dela e influenciando grandemente a civilização Helénica. Mas de que modo? Como eram os micenos? Donde vem o seu nome? A Civilização Micénica obteve o seu nome da cidade de Micenas, no Peloponeso, a primeira a ser descoberta. Tal como todas as outras cidades, Micenas tinha um grande palácio, ao redor do qual existia uma muralha (estas muralhas vieram a chamar-se ciclópicas pois pensava-se que tinham sido construídas pelos Ciclopes), funcionando como um reino. De facto, a Civilização Micénica nunca encontrou uma unidade, sendo formada por pequenos territórios monárquicos com uma economia redistributiva: os bens eram todos levados para o palácio e a partir daí eram redistribuídos de acordo com critérios bem definidos, ao contrário de numa economia livre. Foi neste contexto que surgiu a sua escrita, o Linear B, cuja única função era anotar os procedimentos relativos à economia, e, por isso, apenas os escribas encarregados desta função sabiam escrever. Não havia literatura. Os micénicos invadiram Creta, tornando-se no centro cultural e militar do Egeu. Atingiu o seu apogeu, com palácios ricamente decorados, muitos quartos e luxos como sanitas e banheiras em que a elite da sociedade se deleitava. Sim, porque esta civilização era altamente hierarquizada, e as diferenças eram marcadas não só ao nível da habitação, riqueza e títulos, mas mesmo ao nível do vestuário. Mas esta civilização conheceu o seu declínio. Um grande conflito envolvendo todos os limites do mar Egeu, e envolvendo ainda os vários reinos micénicos que se combateram entre si contribuiu grandemente para isto. Também ladrões vindos do mar ajudaram a queda da Civilização Micénica. No entanto não seriam suficientes, e as verdadeiras causas permanecem obscuras: guerras, terramotos, peste, seca, fome, alterações climatéricas... Muitas foram as sugestões dadas, mas ainda não foi possível comprovar nenhuma. O que quer que tenha sido, causou um forte abalo em todas as cidades gregas, com o fim da economia redistributiva, e Atenas parece ter sido a única que escapou relativamente impune. A Grécia experimentou uma grande emigração em busca de novos territórios. Foi nesta altura que os Iónicos foram para o continente, perto de Anatólia, e que os Dórios migraram para a Grécia. As jóias da civilização Micénica desapareceram. Com elas desapareceu a escrita e entrou-se naquilo a que se dá o nome da Era das Trevas.
Era das TrevasDurante o período negro da Era das Trevas tudo levava a crer que os restos da Civilização Micénica estavam destinados a desaparecer. O fim da Grécia parecia ser óbvio e todas as possíveis previsões apontariam para esse destino. Mas estariam todas erradas. A Grécia reergueu-se, mas como? Durante a Era das Trevas, que se iniciou entre 1200 A.C. e 1000 A.C., a pobreza aumentou drasticamente. A Civilização Micénica colapsou, a economia ruiu, a escrita desapareceu. Por tudo isto, e ainda porque é grande a dificuldade em saber o que aconteceu nesses tempo, é que se lhe deu o nome de Era das Trevas. Esta situação durou até 900 A.C. no Próximo Oriente e 750 A.C. na Grécia. Desta época restam-nos muitos poucos documentos, já que a escrita, Linear B, foi perdida. Isto deve-se ao facto de que a língua não só era muito difícil como só era conhecida por alguns especialistas, os escribas da economia, já não necessários. Assim, a história passou a ser transmitida oralmente por histórias e lendas. Também se especula que terá sido neste tempo que os Dórios, ancestrais dos espartanos, migraram para a Grécia, logo a seguir ao colapso dos micénicos. Nestes tempos a Grécia sofreu muito: a sua antes poderosa armada ficou muito reduzida, o número de cidades gregas diminuiu drasticamente, bem como a agricultura. Sem governo, a população juntava-se em pequenas povoações de cabanas, mudando frequentemente de localização, devido à sua nova ocupação: a pastorícia. E apesar da pobreza, pensa-se que por volta de 1050 A.C. a sociedade hierarquizada voltou a ser construída lentamente. Mais concretamente, encontrou-se um túmulo de 950 A.C. em Lefkandi, bastante rico, na arquitectura e no ouro dos cadáveres. E foram ainda encontrados objectos de ferro que marcam o fim da Idade do Bronze e o início da Idade do Ferro. Para além disto, encontraram-se objectos do Próximo Oriente, o que atesta o contacto durante a Era das Trevas entre estas duas terras. Este contacto será de extrema importância para a mitologia, religião e comércio gregos.
Reconstrução da GréciaAssim começava a reconstrução da Grécia. Com o fim da Idade do Bronze e a entrada na Idade do Ferro, vieram muitos outros acontecimentos que marcariam definitivamente o renascer e a formação da cultura helénica, tal como hoje a concebemos. Apesar de já em 900 A.C. se notar um melhoramento na economia, só em 750 A.C., com a saída da Era das Trevas e a entrada no Período Arcaico, é que surgiram novos estados, muito influenciados pela cultura do Próximo Oriente, sobretudo devido ao contacto que com esta zona a Grécia manteve ao longo da Era das Trevas. Os sinais que marcam o renascer são principalmente o aumento da riqueza e o recomeço da hierarquização da sociedade, evidenciada por alguns túmulos cujos proprietários eram enterrados com pequenos tesouros. Mas aquilo que marcou definitivamente a saída das Era das Trevas foi o começo da Idade do Ferro, ou seja, o início da metalurgia. O primeiro motivo para a disseminação do ferro foi o corte das rotas que importavam estanho, necessário para com o cobre criar bronze, com o início da Era das Trevas em 1200 A.C.. As únicas rotas comerciais da Grécia eram com o Próximo Oriente, que viria a ser de grande importância, com a Síria e com o Egipto. Então, vindo do Próximo Oriente, por intermédio do Chipre, chegou à Grécia a técnica da metalurgia. Depressa os Gregos a adoptaram, pois havia muito ferro disponível no território grego, o que tornava a produção de instrumentos em ferro mais barato, e, portanto, mais acessível. Primeiro foi utilizado no fabrico de armas, mas depressa se expandiu ao mercado dos instrumentos agrícolas, que não só se tornaram mais baratos, como eram mais duros e permaneciam afiados mais tempo. No entanto, o bronze não desapareceu, e continuou a ser importante no fabrico de escudos e armaduras. Esta chegada do ferro à agricultura marcou profundamente o ressurgimento desta prática. A produção de comida aumentou drasticamente, principalmente no cultivo da cevada, o que atraiu mais população. Com o aumento da população, mais agricultores havia, logo, mais comida e, num ciclo, a população aumentava. Por outro lado, assistiu-se a uma reestruturação hierárquica, surgindo uma nova classe, os Aristocratas, cujo significado difere muito daquele que hoje lhe é atribuído. "Aristocracia" vem do grego antigo, significando "governo dos melhores", ou seja, é uma forma de governo em que aqueles que se distingam em algo é que governam. Assim vimos surgir esta nova classe dominante, quer a partir de famílias micénicas importantes, ou por se terem distinguido em feitos, como por terem partilhado riqueza ou por terem tomado importantes papéis a nível religioso. Esta classificação de elite social, inicialmente escolhida apenas pela sua conduta, riqueza ou influência política, tornou-se mais tarde hereditária, ainda que fosse possível ascender a aristocrata por feitos notáveis, ou desde da classe por feitos abomináveis. Esta nova sociedade era regida por um exigente sistema de valores, expressos, ainda que de forma lírica, na Ilíada e na Odisseia, de Homero, em que as personagens principais são aristocratas. Para os homens, que eram sobretudo guerreiros, não falhar, ou seja, vencer, era algo de grande importância, pois um falhanço era uma enorme vergonha. A personagem masculina que encarna este valor, a procura da Arete, da excelência (código que ainda hoje regerá o Helenismos, mesmo que entendido de forma diferente), é Aquiles, o melhor em acções e palavras. Já para as mulheres, a Arete é encarnada por Penélope, a fiel esposa de Odisseus (Ulisses). A mulher aristocrata do final da Era das Trevas deveria comportar-se segundo este modelo: a esposa inteligente e bela, que usa os seus atributos para preservar a casa e a sua propriedade e que goza de estatuto social, permanecendo sempre fiel ao seu marido. Sabemos tudo isto, porque a escrita renasceu, principalmente através de Homero e de Hesiodo. Esta nova forma de escrita, o grego antigo, resultou do contacto da Grécia com o Próximo Oriente. Os helénicos modificaram o alfabeto fenício, adaptando-o aos sons próprios da sua linguagem, e criaram o seu alfabeto, que viria a dar origem àquele que hoje usamos em Portugal. Ao contrário dos micénicos, que usavam a sua escrita apenas para registar o processo da redistribuição de bens, os gregos usaram a sua linguagem de várias formas. Primeiro registaram a poesia oral, depois criaram novas formas literárias, entre as quais o texto dramático, e, finalmente, usaram-na para registos históricos e mesmo textos filosóficos. Convém ainda saber que, também ao contrário dos micénicos, a escrita para os gregos não era exclusiva de um número muito restrito de pessoas, fazendo parte da educação básica dos cidadãos homens. É neste sentido que surge a chamada Questão Homérica. Diz-se que os poemas homéricos são demasiado complexos para que possam ter sido criados por um só homem. Assim, eles terão evoluído ao longo de séculos de transmissão oral, sofrendo transformações e acréscimos, sendo finalmente registados por um só homem. No entanto, há quem defenda que Homero é um só homem que criou a Ilíada e a Odisseia. Retomando a questão da Arete, outra das evidências da sua importância são os Jogos Olímpicos e os Jogos de Hera. Os Jogos Olímpicos realizavam-se em Olímpia e eram dedicados a Zeus. Durante estes jogos, e nos seus primórdios, em 776 A.C., os homens aristocratas combatiam e corriam, como indivíduos, e não como representantes de grupos ou regiões. Este festival que se realizava de 4 em 4 anos, tinha a particularidade de que as competições se realizavam, literalmente, a nu. Daí derivou a nossa palavra ginásio, de gymnos, "nu". Gradualmente foram adicionando-se novas competições para além da luta e da corrida, mas o Stadion, que originou a nossa palavra estádio, uma corrida de aproximadamente 180m, continuou sempre a ser a competição principal. Nos Jogos Olímpicos iniciais, o único prémio era uma coroa de oliveira, para além do prestígio, mas mais tarde foram acrescentando-se prémios valiosos e apareceram atletas profissionais que ganhavam a sua vida exclusivamente com estas competições. Importante é ainda de notar um espírito perdido da sacralidade: durante um período que começava antes e acabava no fim dos jogos, eram feitas tréguas sagradas e as guerras eram interrompidas, algo que se não verifica nos Jogos Olímpicos modernos, que pararam nas Guerras Mundiais. No entanto, as mulheres casadas não podiam assistir aos Jogos Olímpicos. Elas tinham os seus próprios jogos exclusivos dos quais pouco se sabe: os Jogos de Hera. Falta referir que o sentido do divino governava toda a vida dos gregos, sendo a religião indissociável do quotidiano: nos desportos, nas guerras, na política, na lei... O mais importante ritual religioso era o sacrifício, feito ao ar livre perante multidões, havendo em seguida um banquete festivo. A religião baseava-se no mito, tendo-se preservado os poemas de Hesiodo que são de um inestimável valor para a compreensão das fundações da religião helénica, apresentando-nos na Teogonia uma genealogia dos Deuses e em Trabalhos e Dias importantes ocasiões religiosas. Um outro conceito muito importante era o de Justiça, que desde Hesíodo consta como uma das grandes virtudes do Homem. Para além disso, o sofrimento e a luta era vista como algo que os humanos partilhavam com os Deuses, que não são perfeitos nem imutáveis, mas sempre em movimento e discutindo uns com os outros - de outro modo como se explicaria que o mundo fosse imperfeito? A justiça na Era das Trevas era administrada pelos homens aristocratas, que controlavam os seus servos e os seus "súbditos". Era como se fossem chefes de bandos, sendo eles que ditavam a justiça, pondo fim a conflitos, decidiam quando e se ir para a guerra e, muitas vezes, conduziam os rituais religiosos. No entanto esta liderança não era absolutista. Ao fazer decisões, o aristocrata não podia simplesmente de dizer o que deviam fazer: tinha que haver consenso entre as pessoas, e o papel do aristocrata era o de persuadir e, ao mesmo tempo, mediar. Mas nunca deixavam de existir tensões, e crê-se que foram estas que, eventualmente, conduziram à construção da forma de governo da Antiga Grécia: a cidade-estado. Os homens não aristocratas também teriam direito a falar, ainda que aceitando que os aristocratas continuassem em posições de poder.
Período ArcaicoO Período Arcaico ficou marcado pela criação das primeiras cidades-estado, pelas invasões persas e pelo começo da centralização da religião nas polis, movendo-se do campo para a cidade. É a esta época que data a primeira Olimpíada. Para além destas ocorrências, importantes para a Grécia, sucedeu algo que viria a mudas o destino do mundo ocidental e, muito mais tarde, de todo o mundo: a fundação de Roma. A arte deste período é muito característica e distinta do período seguinte. As estátuas fazem lembrar as egípcias, erguendo-se rígidas em posições pouca naturais e completamente estáticas, enquanto que as estátuas do período clássico são a reprodução da beleza e da dinâmica. Mas a expressão máxima deste período é a polis (de onde deriva a palavra "política"), ou cidade-estado. Esta não deve ser entendida segundo o conceito actual de cidade: a cidade-estado englobava não só o próprio centro urbano, como os campos ao seu redor num raio de vários kilometros, incluindo as aldeias que nesse raio se encontrassem. Para cada polis havia um Deus ou Deusa padroeiro(a), tal como Atena em Atenas e Esparta, Demeter em Eleusis, Zeus em Olímpia, etc.. As duas polis principais deste período, sendo também as duas grande rivais, eram Atenas e Esparta. Para além destas duas rivais, outra polis tinha especial importância: o Corinto. Era a nível da polis que se davam as maiores ocasiões religiosas e todos os habitantes de uma cidade-estado eram responsáveis pela adoração da divindade padroeira e das restantes divindades, sendo qualquer erro de culto da responsabilidade colectiva. Eram os cidadãos de cada cidade-estado que organizavam os festivais, serviam de sacerdotes e sacerdotisas e forneciam dinheiro para os templos, bem como ofertavam obras de arte aos Deuses. A forma máxima de culto, o sacrifício, processava-se também a nível comunitário, sendo a principal fonte de carne da população. Como já foi referido, as estátuas eram rígidas e semelhantes às egípcias, mostrando uma grande tenção. A estas estátuas dá-se o nome de kouroi e são a principal manifestação artística arcaica. Os homens eram geralmente representados nus numa posição típica da estatuária egípcia, enquanto que as mulheres estavam vestidas ao estilo do Médio Oriente. Nesta época começou também a desenvolver-se a pintura em vasos. Inicialmente eram pintados apenas mitos, mas para o fim do período já se representavam algumas cenas do quotidiano. Para além da pintura e da escultura, este período é marcado pelo desenvolvimento da arte linguística, da filosofia e da política. Quanto a este último ponto, sofreu-se uma evolução em direcção à democracia. As cidades formavam-se como monarquias, evoluindo para oligarquias, tiranias e, finalmente, com a entrada no período clássico, passavam a ser governadas com uma democracia muito própria. Primeiro, enquanto monarquias, eram governadas pelo basileus, ou rei. Mas, com a entrada no Período Arcaico, a maioria destes reis foi deposto e a maioria desta maioria de cidades sem rei, converteram-se à oligarquia. Na oligarquia o poder está na mão de poucos, normalmente os mais ricos (o nome desta forma de oligarquia é timocracia), mas houve bastantes formas de oligarquia criadas neste tempo. Os governadores detinham quase tanto poder quanto os antigos reis e tinham as mesmas regalias. Eventualmente, as oligarquias foram substituídas por tiranias, sendo tiranos aqueles que usurpavam o poder, sem ter direito a ele, mas que muitas vezes gozavam de grande popularidade. A insatisfação e a crise acabava por destronar os tiranos Os tiranos governavam como um rei, e embora muitos tenham acabado com crises, a maioria agarrava-se ao poder, sustentando-o através de ameaças, normalmente militares. Alternava-se entre a oligarquia e a tirania, até que foi criada a democracia, em alguns aspectos mais pura que a nossa, já que o governo estava de facto na mão das pessoas e não de órgãos representativos, mas também mais injusta, já que muitas pessoas estavam excluídas desta: os escravos, as mulheres, os homens novos, os estrangeiros... Assim se verifica que a primeira democracia era uma oligarquia com a minoria governadora muito grande. Deste período datam as obras de Hesíodo, bem como de Safo, a mais famosa poetisa da Antiguidade, que explorava sobretudo a sexualidade feminina e o amor nos seus poemas, chegando mais tarde a ser considerada não como uma poetisa, mas uma musa. Nesta época houve também avanços nas ciências. Tales de Mileto prevê um eclipse solar e tenta explicar o universo de uma forma racional, dando os primeiros passos da química ao afirmar que tudo é composto de água, e iniciando as discussões metafísicas próprias da filosofia. O Período Arcaico foi uma época de frenética colonização. O aumento da população no pequeno espaço da polis, fez com que os gregos procurassem novos lugares para habitarem e formarem novas polis, semelhantes às "polis-mãe", tanto ao redor do mar egeu, como do mar mediterrâneo e até mais além. Com a cultura grega a espalhar-se, o comércio aumentou drasticamente e algumas polis foram-se tornando muito ricas e poderosas. É de realçar que, no entanto, para o mundo grego nesta época não existia nenhum centro militar, económico ou cultural. Cada cidade-estado era como um pequeno país, sendo que apenas culturalmente as várias polis podem ser consideradas como uma nação. O florescimento da cultura grega ocorreu em Mileto, quer com Tales, quer com outros, pois esta polis encontrava-se no Próximo Oriente, mas depressa se espalhou. O Corinto tornou-se a principal referência literária, Atenas detinha um grande poder económico e Esparta dominava o poder político. Já nesta época se notava a rivalidade entre Atenas e Esparta. Embora hoje tenhamos uma má ideia de Esparta, há que ter em conta que tudo o que sabemos sobre ela nos veio através da sua rival, Atenas, e que os espartanos e muitos dos seus vizinhos pensavam viver no melhor local. Esta rivalidade manifestava-se cultural e economicamente, vindo a culminar, noutro período, numa guerra desastrosa para Atenas. Durante este período, Esparta deu origem à Guerra de Messénia, invadindo Messénia devido aos seus férteis campos, pois Esparta precisava de comida. Mas os messenos revoltaram-se e não só expulsaram os espartanos como quase destruíram Esparta. Com esta guerra, Esparta enfraqueceu, e os seus súbditos eram dez vezes mais que os espartanos. Prevendo uma revolta, Esparta transformou o seu governo num estado militar. Transformaram os messenos em escravos e a cidade e o poder militar tornaram-se o centro da vida espartana. Ao contrário de Esparta, Atenas possuía ricos campos agrícolas ao seu redor, e por isso não entrou em guerras com os seus vizinhos. O poder do rei diminui lentamente, enquanto que o dos seus conselheiros, os Areopagus, crescia. Atenas passou quase imperceptivelmente de uma monarquia para uma oligarquia, governada por nove archons eleitos pelos Areópagos. Apesar de cultivar trigo, Atenas começou a importar este bem ao mesmo tempo que exportava vinho e azeite, fazendo com que os agricultores de trigo caíssem na miséria e fossem obrigados a vender os filhos ou as mulheres ou eles mesmos. Estava a criar-se o caminho para a revolução. Mas também os atenienses tomaram consciência disso, e em 594 A.C. entregaram o poder a uma pessoa, Sólon, instituindo assim uma tirania. A sua missão era acabar com a exploração e com os problemas sociais e económicos, evitando a queda de Atenas. A primeira medida de Sólon foi cancelar todas as dívidas e libertar os atenienses que se tinham vendido como escravos, o que lhe granjeou popularidade. Incentivou a produção de azeite e de vinho, lucrativos, e em 500 A.C. quase todas as terras eram dedicadas a esta produção. Também mexeu na sociedade, dividindo-a em quatro classes, conforme o grau de riqueza. As duas mais ricas podiam entrar no Areopagus, a seguinte num concelho de quatrocentas pessoas, e a mais pobre participava numa assembleia onde podia votar em problemas propostos pelo concelho, e podia também participar num tribunal que balançava o poder. No entanto, Sólon não resolveu a crise económica e, eventualmente, foi deposto. Sucederam-se um série de tiranos. Finalmente, em 502 A.C. Atenas funcionava segundo uma democracia. Para além disse, nestes anos Atenas tornou-se o maior centro cultural devido às obras de Pisistrato (que ele mandou fazer). Por esta altura se deu a transição para o período Clássico, bem como as invasões Persas.
Período ClássicoEste é o período que a grande maioria das pessoas pensa quando se refere á Grécia Antiga. Os templos, as estátuas, os mitos que mais conhecemos e que de mais falamos remontam a esta época, um período de grande produção artística e literária, mas também de grandes guerras. Neste período o culto comunitário tornou-se de grande importância, principalmente porque se tornou uma crença comum que toda a comunidade era responsável pelo comportamento de cada indivíduo, e que sofreria as consequências de desvios nas regras. O Período Clássico começa com as Invasões Persas, em 490 A.C., e acaba com a morte de Alexandre, o Grande, em 323 A.C.. Neste período as diferenças entre Atenas e Esparta acentuaram-se, nomeadamente a nível político e social. Atenas tinha uma democracia, com uma lealdade virada para a família, tendo as atenienses poucas liberdades e sendo os atenienses treinados e educados para se tornarem bons oradores. Já Esparta tinha dois reis e uma oligarquia, com a lealdade de serviço centrada no estado, sendo dada às mulheres tanta liberdade como aos homens e sendo estes últimos treinados não para ser oradores, mas guerreiros sem piedade. Seria de esperar os grandes conflitos, mas nos anos iniciais deste período os gregos uniram-se para lutar contra os Persas, formando a Liga Grega e conseguindo expulsar todas as forças inimigas do seu território continental por volta de 479 AC. Durante este período que compreende as chamadas Invasões Persas, há que destacar a batalha de Maratona, em 490, famosa pelo heróico mensageiro que chegou a Atenas com a notícia da vitória. Entretanto o poder de Atenas crescia, nomeadamente a nível naval e, simultaneamente, a relação entre esta cidade-estado e Esparta degradava-se cada vez mais, já que os espartanos, que eram antes os líderes inquestionáveis dos gregos, se sentiam ameaçados pelo crescente poder dos atenienses. Neste período de ténue paz, formou-se a Liga de Delos, em que várias cidades se juntaram, sob o comando de Atenas, por estarem fartas da tirania de Esparta. No entanto a paz manteve-se, chegando mesmo a assinar-se um tratado de paz de 30 anos. Por oposição à Liga de Delos, formou-se a Liga do Peloponeso, liderada por Esparta, que cada vez se sentia mais ameaçada por Atenas. Outras cidades independentes, como o Corinto, também partilhavam deste sentimento, gerando climas de grande tensão, inclusive dentro da Liga de Delos, que algumas cidades tentaram, sem sucesso, abandonar. Neste período iniciou-se a construções do Parténon, em Atenas, e o teatro e a filosofia cresceram tremendamente. Mas este período de tensão e paz foi finalmente quebrado por uma intervenção inoportuna de Atenas. O Corinto, que até então era independente, não pertencendo a nenhuma liga, não ficou satisfeito com a intervenção de Atenas no conflito com Corcira e convocou a liga do Peloponeso. Então foi declarada guerra a Atenas e iniciou-se a guerra do Peloponeso, que terminou apenas passados 27 anos com a rendição de Atenas. Com a derrota de Atenas, Esparta tentou impor a oligarquia em toda a Grécia, mas Tebas não ficou contente com o domínio espartano e fez uma aliança com Atenas, antes sua inimiga. Uma conspiração tebana assinalou o começo da decadência Espartana, que acabou por assinar um novo tratado de paz com Atenas. No entanto, Esparta quebrou, novamente, a paz, agindo contra Atenas, que, no entanto, não ripostou por necessidade, vindo-se forçada a manter aliança com Esparta, e esta com Atenas, com a formação da Liga Beócia e o apogeu de Tessália e Tebas. Este novo conflito terminou com um novo acordo de paz, que desta vez impedia a supremacia de qualquer estado e acabava com os sonhos de hegemonia. Mas estes conflitos enfraqueceram a Grécia, que acabou por sucumbir à Macedónia. Mas a cultura grega conquistou os conquistadores, pela primeira, e não última, vez. Filipe II iniciou uma expansão da Macedónia em direcção ao mar, destruindo as cidades que se lhe opunham. Atenas não o fez até mais tarde, saindo, no entanto, derrotada. Filipe II conseguiu "unir" toda a Grécia, com excepção de Esparta, ou seja, subjugou toda a Grécia ao seu comando. Mas isto granjeou-lhe muitos inimigos, acabando por ser assassinado antes de invadir a Pérsia. Então o seu cargo de rei foi entregue ao seu filho, Alexandre, também conhecido como Alexandre, o Grande, o qual chegou a ter veneração religiosa, bem como os seus sucessores. Alexandre tinha então apenas vinte anos, mas concretizou o sonho do pai e conquistou toda a Pérsia, tentando unificar todo o mundo conhecido. Mas primeiro teve que conquistar o favor dos gregos. Primeiro conseguiu o favor da Liga do Corinto. Mas Tebas rebelou-se e Alexandre foi impiedoso, destruindo completamente a cidade. Isto fez com que toda a Grécia se submetesse a ele pelo medo. Alexandre destronou então Dário III, rei da Pércia, e chegou até à Índia. Após ter derrotado a Grécia, a cultura grega chegou até todo o território de Alexandre, com a sua língua, religião e artes, desde a Índia até ao Egipto, constituindo a chamada Civilização Helenística. Mas os seus planos de unir os povos terminaram na Babilónia, quando Alexandre morreu, a 13 de Junho de 323, com 33 anos, vítima de febre, talvez causada por uma doença ou talvez por um veneno. Mas, no seu curto tempo de vida, Alexandre mudou a história, marcando profundamente toda a civilização mundial.
Período HelenísticoA época Helenística despontou depois da morte de Alexandre e é caracterizada pela forte influência da cultura grega em todo o mundo, alcançando o seu apogeu, até aos tempos de Roma. Assim, este período vai desde 323 até 146, quando Roma conquistou a Grécia. Com a morte de Alexandre, os gregos tentaram novamente ganhar a independência, mas novamente falharam. Simultaneamente despontaram-se guerra muito problemáticas quando à sucessão de Alexandre que, como morrera inesperadamente, não nomeara herdeiro. O império foi dividido em três: os Antigónidas na Macedónia, os a Monarquia Seleucida no Oriente e a Ptolomaica no Egipto. Com esta dissolução, os gregos continuaram a tentar a sua independência, com algumas vitórias esporádicas até à conquista de Roma. Até este período, Roma havia sido amistosa com os gregos, até que Filipe V se aliou a Aníbal. Então, Roma conquistou a Macedónia, atribuindo depois autonomia às cidades gregas, até que em 146 a Grécia ficou submetida à República Romana. No entanto, foi a Grécia que conquistou culturalmente todo o Império do Ocidente, constituindo as raízes que influenciaram e ainda influenciam toda a cultura ocidental.
~Miguel |
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