Thiasos Portus Kale


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  Heleno e Atena

Heleno acordou subitamente de um pesadelo e olhou para o despertador. Eram cinco horas, ainda faltava uma hora para tocar, mas ele não sentia qualquer vestígio de sono. Então pôs-se a pensar e, subitamente, lembrou-se que nesse mesmo dia iam ter um teste de skill na sua empresa e começou a sentir-se inseguro.

Então lembrou-se de pedir a Atena, Deusa das habilidades, que o ajudasse. Olhou para o lado e certificou-se que Helena estava a dormir - sabia bem o que ela pensava sobre pedir ajuda aos Deuses por tudo e por nada. Levantou-se sorrateiramente e ergueu as mãos ao céu da noite, orando a Atena e prometendo-lhe um ritual com pompa.

E Atena não o desiludiu, acalmando-lhe os nervos e pondo o seu cérebro em turbo, deixando bem claro que merecia mais que um ritual normal, já que a ajuda fora bastante grande para Heleno que dois dias depois foi promovido.

Chegou então a altura de fazer o ritual, mas não conseguia arranjar um tempinho sozinho para fazer o ritual que imaginava. Com Helena não podia fazer, porque tinha que deixar bem claro que o ritual era um ritual de agradecimento e ela não poderia nunca saber que ele "sucumbira à tentação".

A situação foi-se arrastando e arrastando e a vida de Heleno ia se tornando, a pouco e pouco, um caos. Até que um dia decidiu: não passa desta semana. Sentou-se e escreveu os passos que visionava no ritual, revendo-os e fazendo uma lista de todo o material que precisava. Depois olhou para o tempo da semana e decidiu-se por uma hora - se não tivesse tudo planeado essa hora nunca daria, mas assim tinha que deixar tudo pronto e confiar em Atena.

Finalmente chegou-se a véspera do grande dia. Heleno saiu com a sua lista e fez as compras à socapa, escondendo-as para que Helena não pudesse desconfiar de nada. Depois preparou tudo durante a noite e de manhã começou por tomar o seu banho. Quando ouviu a porta da rua fechar, sinal de que Helena saíra para o cabeleireiro, saiu da água e começou o seu plano.

 

O Ritual

Durante a noite Heleno levantou-se sorrateiramente e deslizou até à sala de estar, onde para além de verem televisão, comerem e passarem a ferro também faziam os rituais. Silenciosamente arrumou tudo e fez a purificação com fumo, usando incenso e um mantra suave, para Helena não acordar. Tinha a certeza que ela não ia passar naquela divisão e como a fechava o incenso não sairia.

Depois voltou para a cama e dormiu até o despertador tocar. Demorou mais tempo que o normal na cama e no banho, para ter a certeza que só saía quando Helena já não estivesse em casa. Então saiu, arranjou-se e perfumou-se e tirou as ofertas do armário. Entrou na divisão e criou o khérnips, acendendo a Hestia e passando o fogo sagrado para a água com uma folha de loureiro. Lavou-se com a água e purificou a divisão, saindo depois e salpicando as ofertas.

Então levou-as uma a uma para o interior, ao mesmo tempo que cantava uma canção em honra de Atena que as musas lhe inspiraram nesse mesmo momento. Quando já todas as ofertas estavam lá dentro continuou a cantar e aproveitou para dançar em sentido inverso ao ponteiro dos relógios, ao mesmo tempo que acompanhava a música com palmas, fazendo assim a circumbalação.

Chegou então junto da Hestia e fez a primeira libação de sumo de romã, sumo que já na Antiguidade era dedicado a Atena. Chamou então a Deusa, declarando que aquela era a forma de agradecimento prometida, agradecendo e explicando como e porque tinha sido importante a ajuda da Deusa dos Olhos Cinzentos.

Seguiu-se então a leitura de um poema que ele mesmo compusera para a ocasião e depois as ofertas de fruta e pão. Depois destas dedicou-se a fazer uma estatueta em honra da Deusa, feita de papel de jornal, fita-cola e papel de alumínio, que depois dedicou a Atena e lhe ofereceu, colocando-a no altar.

Finalmente, cantou novamente e fez a libação de encerramento, apagando então a Hestia. Saiu da divisão e começou a pensar como havia de apagar todos os rastos do ritual. Infelizmente para ele esqueceu-se que Helena tem um nariz muito bom e apercebeu-se do cheiro de incenso, dando-lhe uma grande bronca por pedir ajuda aos Deuses por tudo e por nada... como ele temia.

"Viver para aprender!" pensou Heleno "Da próxima tenho que usar um eliminador de odores qualquer."


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Incenso 0.50€
Fósforos 0.99€
Louro em folhas 0.59€
Sumo de romã 3.00€
Pão 0.51€
Fruta vária apx:1.00€
Total 6.59€

Começando pelos produtos da lista de preços: o incenso é de paus e foi adquirido numa loja chinesa, mas existe disponível na maioria das grandes superfícies comerciais e dá para vários rituais, dependendo do número de paus por embalagem e da quantidade usada por ritual, que varia conforme os gostos e o tamanho da divisão.

Os fósforos não vão ser necessários para a maioria das pessoas. Eram 480 no total pelo que dão para muito tempo de rituais, preces e pratos.

O louro em folhas encontra-se junto das especiarias e também dá para bastantes rituais, para além de servir para cozinhar pratos deliciosos. Deve durar cerca de um mês, dependendo sobretudo do seu uso na culinária.

O sumo de romã é difícil de encontrar. Eu encontrei-o junto dos produtos chineses e tailandeses, mas também já vi à venda ao pé dos produtos naturais ou dos outros sumos. O mais provável é que só exista em grandes superfícies, mas qualquer sumo o pode substituir, tornando-se até significativamente mais barato.

O pão dá para uns dois dias de consumo, fora o ritual, e o preço da fruta depende da fruta escolhida e do seu tamanho, mas 1€ ainda dá para bastante.

Depois temos os materiais não incluídos no preço:

  • Eventuais instrumentos musicais podem ser fabricados com materiais como copos de iogurte ou paus, mas a voz, as mãos e os pés são completamente grátis e portam-se maravilhosamente;
  • Convém também utilizar um suporte para o incenso, que pode ser um simples vaso com terra ou copo com café - algumas embalagens de incenso trazem suporte incluído, mas quase toda a gente pode fazer um a custo zero;

  • Para fazer o khernips é necessário uma taça com a água e a própria água, bem como uma toalha para limpar as mãos, mas tudo isto são materiais existentes em qualquer casa e não existe qualquer problema em usar material do dia a dia no ritual (na antiguidade o fogo, a parte mais sagrada de qualquer ritual, era usado para cozinhar), por exemplo, uma panela pode ser vir para meter a água;

  • As ofertas também podem ser de outro tipo e podem ser dadas num prato que depois pode ser limpo e usado, por exemplo, para comer o jantar, mais tarde;

  • É preciso um jarro para o sumo de romã (ou então pode servir-se directamente a partir da embalagem), um copo e um sítio para onde deitar as libações, que pode ser o chão ou, novamente, uma taça ou panela - novamente, não há problema em usar objectos do quotidiano;

E é tudo para um ritual ligeiramente mais elaborado.

Felizes Rituais!

 

~Miguel